sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Conceito I: A natureza dos monstros


A partir de hoje, vamos começar nossa viagem sobre os conceitos de monstruosidade. Ao longo desse percurso você vai conhecer um conjunto de trabalhos específicos sobre essa problemática. Essas iniciativas procuram responder a uma pergunta que tem sido o centro de calorosos debates: por que os monstros fascinam tanto?

E para começar essa viagem, vou apresentar o trabalho de um paulista visionário: Luiz Nazário, é doutor em História pela USP, com uma tese, ainda inédita sobre o cinema nazista. Atualmente é chefe do Departamento de Fotografia e Cinema da Escola de Belas Artes, da UFMG.

Da natureza dos Monstros



O monstro se define, em primeiro lugar, em oposição à humanidade. Ele é o seu inimigo mortal, aquele contra o qual ela só pode reagir pelo extermínio. No imaginário popular, o Mal é enorme, maciço, assumindo frequentemente a forma excessiva de um animal antediluviano. [...] Toda a geração formal de uma espécie conhecida - crianças, bichos, andróides - pode converter-se à monstruosidade por um efeito de estranhamento. A maior parte dos atributos da monstruosidade está em clara oposição aos atributos que definem a condição humana. Outros, são aspectos dessa condição tomados isoladamente e submetidos a um tratamento plástico do exagero. (NAZÁRIO, p. 11, 1998)

Desse pequeno trecho podemos destacar os principais pontos da teoria nazariana sobre os monstros:

  • Para definir um monstro, é necessário ter mente o conceito de humanidade.
  • O monstro está relacionado ao Mal; é uma das metáforas utilizadas para representá-lo.
  • Qualquer entidade (pessoa, animal, objetos) pode se tornar um monstro por um efeito de estranhamento. Ao nosso olhar, o outro se torna tão estranho que ganha contornos sombrios.
  • Tratamento plástico do exagero: Além do processo de estranhamento, outra forma de tornar elementos banais em monstros é o exagero de alguma de suas características.
Entrelinhas: Por hoje é só. Aos poucos você vai observar que os monstros estão em todos os lugares, às vezes disfarçados, outras excessivamente evidentes. Na próxima semana, vou falar sobre o conceito jurídico de monstro do filósofo francês Michel Foucault. Até lá.

"O monstro, em sua irrupção, era considerado como o signo anunciador e percursor de acontecimentos destinados, por decisão transcendente, a revolucionar a ordem do mundo e da História". Encyclopédie Philosophique Universelle

Para saber mais:

NAZÁRIO, Luiz. Da natureza dos monstros. São Paulo: Arte & Ciência, 1998.

2 comentários:

  1. Amael, este livro está esgotado, você sabe onde poderia encontrar um exemplar, gostaria de comprar. Obrigada, Daniela

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  2. Grato pela análise de minha teoria, o livro é sempre muito procurado, mas encontra-se há uma década esgotado. Estou preparando a terceira edição revisada, corrigida e ampliada para a editora Perspectiva. Espero que saia em 2013, porque para 2012 não consegui entregar o trabalho finalizado, que deveria estar pronto em janeiro para entrar no cronograma da produção. Mas ficará bem linda e completa a nova edlção, que apresso com a ajuda de um amigo querido, que me ajuda a digitar o que falta.
    http://escritorluiznazario.wordpress.com/

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